Algumas pessoas não se dão conta disso, mas cada foto, manchete ou palavra em um jornal ou site de noticias está milimetricamente posicionado para causar ou despertar uma reação que pode, ou não, estar intrínsicamente ligado ao conteúdo que, aparentemente, quer transmitir.
Neste domingo (16), em evento do Partido Verde realizado no Rio de Janeiro, o presidente da Natura, Guilherme Leal, foi anunciado neste domingo como pré-candidato à vice-presidente da República na chapa de Marina Silva. O G1, site de notícias da Globo, fez a cobertura do evento, e colocou
Veja as fotos selecionadas pelo site de notícias G1, da Globo.com, na cobertura do evento (e disponibilizadas no site):
E aí, o que você achou delas? O que será que o G1 quis dizer?
Hoje, na mídia brasileira, não se fala mais de uma coisa senão o julgamento de Alexandre Nardoni e Anna Carolina Jatobá, acusados de terem jogado Isabella Nardoni, de cinco anos de idade, da janela do sexto andar de um prédio em São Paulo. O julgamento ocorre após quase dois anos completos do evento trágico que tirou a vida da inocente criança.
Você deve se lembrar. De maneira imediata, a notícia da tragédia se espalhou por vários canais de TV. O ato covarde e incomum da morte da garota realmente chamava a atenção. Dia após dia, noticiários e programas de variedades tiveram assunto de sobra para preencher suas pautas e conseguir cobiçados pontos de audiência: eram inúmeras entrevistas com especialistas, simulações com bonecos, especulações sobre possíveis assassinos, possíveis situações de crime, uso da imagem e das lágrimas de Ana Carolina de Oliveira (mãe de Isabella), e de inúmeras fotos e filmagens da pequena criança. Por quê?
A Mídia escolhe. Tudo.
O crime envolvendo os Nardoni é emblemático. Envolve uma família de classe média alta, de “boa origem”, suposta boa formação, uma vida tranquila enfurnada em apartamentos, shopping centers e lojas de conveniência. Uma família de novela. Com problemas de novela. De novela.
Entretanto, algo aconteceu que bagunçou esta almejada e confortável ordem natural das coisas. A família foi vítima? A família foi vitimizante? Como assim?
Claro que um acento faz diferença… Experimenta ficar o dia todo em pé pra você ver! Ahn? Não é desse acento que estamos falando?
Curso de gramática para pastores? Eu acredito!
E que atire a primeira pedra aquele que nunca cometeu adultérioerrou!
E se eu atirar a pedra e errar (o alvo)?
Se um acento muda toda a interpretação de uma fala, e neste caso, de uma conduta de vida, imagine o que milênios não fez com um conjunto de manuscritos árabes reunidos a dedo, traduzidos de qualquer jeito e escritos e reescritos por milhares de pessoas diferentes ao longo de centenas de anos? Entretanto, para muitos é mais fácil pensar que isso é impossível de acontecer…
No ultimo tópico sobre o Haiti vimos toda a hipocrisia que se tornou visível depois do forte abalo de 7 graus na escala Ritcher. Um país esquecido e miserável subitamente ganhou toda a atenção do mundo, recebendo em uma semana uma quantia superior que o seu próprio PIB.
Na semana que se passou, artistas pop se uniram para regravar a célebre música “We Are The World“, lançada originalmente em 1985, como parte de uma campanha de combate a fome na África. Na época, 45 artistas formaram o grupo “USA for Africa” (agora “USA for Haiti” – claro, tinha que ser os Estados Unidos pra salvar o mundo mais uma vez) e cantaram a música escrita pelo finado Michael Jackson. A produção ficou a cargo de Quincy Jones.
Com a catástrofe ocorrida no Haiti, mais uma vez a “caridade” e a “solidariedade” midiática apareceram, e o mesmo Quincy irá produzir a (leia mais…)
Há alguns meses atrás, Globo e Recordreviveram a “épica” batalha que travaram no início da década de 90. Naquela ocasião, a TV Globo fez uma série de reportagens sobre a Igreja Universal e sua atuação corrupta diante de seus inocentes fiéis, tudo pelo fato da empresa religiosa de Edir Macedo ter adquirido uma emissora de TV. As batalhas se estenderam pontualmente, com trocas de farpas e acusações dos dois lados, que sempre falavam em nome da justiça e da democratização da informação. Claro.
Episódios como o do “Chute na Santa” reacendiam os embates, e à medida que a Record ia crescendo, às custas dos milhões de dízimos usurpados dos fiéis, crentes de que Deus necessita do dinheiro de cada um deles para que eles possam ter dinheiro (ahn?), a Rede Globo e seu conglomerado midiático sempre procurava formas e mais formas de expor a “verdade” e se defender da “mais nova possível ameaça” à sua tradicional e consolidada liderança na audiência.
Com as denúncias feitas pelo Ministério Público contra Edir Macedo e mais outros vários empresários líderes esotéricos religiosos da Igreja Universal do Reino de Deus, em agosto de 2009, o embate foi declarado, com a iminência de vários fatalities no meio dos rounds! A principal forma de ataque entre os oponentes, claro, foram os meios de comunicação. O Jornal Nacional deu em primeira mão a notícia destas inúmeras denúncias, tentando esconder um sorrisão de canto de boca, enquanto tratava de organizar o “layout” de seu programa de forma que as diversas e detalhadas reportagens sobre as denúncias soassem como apenas mais algumas notícias. A Record não hesitou um só instante, e com ordens explícitas de Edir Macedo, seu principal telejornal virou porta-voz oficial de sua igreja. Uma verdadeira assessoria de imprensa.
Como este assunto, um dos meus preferidos, é tema para vários e longos posts, segue então um vídeo onde vemos como o jornalismo NÃO é imparcial, como essa idéia é FANTASIOSA e como é possível profissionais se VENDEREM a troco de colocarem suas credibilidades na lata do lixo (Boris Casoy, aquele abraço!).
Por trás de tudo existe uma motivação, um interesse, uma intencionalidade; saber discernir isso é a chave para que não façamos parte deste rebanho cego e insosso que vive andando por aí, defecando pelo caminho e mantendo os lobos com a barriga sempre cheia.
Sabe aqueles dias em que o silêncio vale mais do que mil palavras?
Em que é melhor ficar calado para não falar besteira?
Sabe aquelas horas em que toda a sua reputação vai por água abaixo por um simples deslize?
Eis um destes momentos:
Bóris Casoy sempre foi conhecido pelo seu jargão “Isso é uma vergonha!“, sempre se referindo, na maioria das vezes, à reportagens que mostravam situações de corrupção, politicagem, ou algo éticamente não muito aceito. O jornalista sempre foi o estandarte da moralidade, do correto, sempre foi a voz dos telespectadores enraivecidos com as tristes notícias por ele divulgadas, nos telejornais que apresentava. Entretanto, num momento de distração, fez uma ironia que seria apenas mais uma se não estivesse carregada de elitismo e profundo preconceito. Quem diria?
É bom que isso aconteça às vezes, para que as pessoas aprendam sempre a rever os seus referenciais, não importa quais sejam. Tem tanta gente que acha que a Veja é a melhor revista semanal do mundo, que o William Bonner é o melhor jornalista e que Arnaldo Jabor é o ápice da intelectualidade do país…
Bom, o legal foi ver o Sr. Casoy, que “do alto de seus anos de jornalismo”, teve que pedir desculpas em público pela cagada que fez, que o colocou “no mais baixo da escala da decência”, embora o tal jornalista não esconda, do alto de sua empáfia, que tal pedido de desculpas é forçado e feito por obrigação. Mesmo assim, do alto deste blog, umFeliz 2010 pra você também, Bóris!
Se os garis recolhem o lixo feito pelos outros, deveriam eles varrerem o cidadão acima?