Coisas que acreditamos, Religião, Vídeos  

Um acento faz toda a diferença…

Claro que um acento faz diferença… Experimenta ficar o dia todo em pé pra você ver! Ahn? Não é desse acento que estamos falando?

Curso de gramática para pastores? Eu acredito!

E que atire a primeira pedra aquele que nunca cometeu adultério errou!

Se um acento muda toda a interpretação de uma fala, e neste caso, de uma conduta de vida, imagine o que milênios não fez com um conjunto de manuscritos árabes reunidos a dedo, traduzidos de qualquer jeito e escritos e reescritos por milhares de pessoas diferentes ao longo de centenas de anos? Entretanto, para muitos é mais fácil pensar que isso é impossível de acontecer…

Outros  

A Mídia Paulista Ama Muito o José Serra

CIDADE-ESTRANHA

Todo mundo sabe (ou pelo menos todos os leitores do blog sabem, pois presumo que sejam pessoas inteligentes :-) ) que a mídia paulistana (e consequentemente, a brasileira) ama o José Serra. O governador paulistano, cover do Sr. Burns dos Simpsons, sempre aparece nos telejornais e revistas como um sujeito calmo, democrático, inteligente e cheio de bom senso.  Tanto que, em fatos como o grave acidente nas obras do Metrô, as cagadas feitas na Secretaria do Ensino Superior (que culminou na invasão da reitoria da USP – eu passei por lá!), o superfaturamento das obras do Rodoanel e as enchentes que ocorrem em todo o estado, seu nome sequer é citado.  Tamanha proteção se dá ao fato dele ser o grande eleito para ocupar o cargo de próximo Presidente da República. Com o tempo, alguns posts virão por aí falando mais detalhadamente sobre estes assuntos.

serradedo

Viajando pelo blog Torresmo Fresco , achei algo muito interessante e bem-humorado que ilustra bem a situação:

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Uma Boa Leitura  

Pálpebras de Neblina, por Caio Fernando Abreu

Hoje, no Desordem Pública, inicia-se uma nova categoria de posts, destinada à publicação de textos, contos, histórias, crônicas ou poemas para deleite dos leitores de bom gosto: “Uma Boa Leitura”.

E para a estréia da categoria, um belo conto.

por Caio Fernando Abreu

Fim de tarde. Dia banal, terça, quarta-feira. Eu estava me sentindo muito triste. Você pode dizer que isso tem sido freqüente demais, ou até um pouco (ou muito) chato. Mas, que se há de fazer, se eu estava mesmo muito triste? Tristeza-garoa, fininha, cortante, persistente, com alguns relâmpagos de catástrofe futura. Projeções: e amanhã, e depois? e trabalho, amor, moradia? o que vai acontecer? Típico pensamento-nada-a-ver: sossega, o que vai acontecer acontecerá. Relaxa, baby, e flui: barquinho na correnteza, Deus dará. Essas coisas meio piegas, meio burras, eu vinha pensando naquele dia. Resolvi andar. Andar e olhar. Sem pensar, só olhar: caras, fachadas, vitrinas, automóveis, nuvens, anjos bandidos, fadas piradas, descargas de monóxido de carbono. Da praça Roosevelt, fui subindo pela Augusta, enquanto lembrava uns versos de Cecília Meireles, dos Cânticos: “Não digas ‘Eu sofro’. Que é que dentro de ti és tu? / Que foi que te ensinaram/que era sofrer?” Mas não conseguia parar. Surdo a qualquer zen-budismo, o coração doía sintonizado com o espinho. Melodrama: nem amor, nem trabalho, nem família, quem sabe nem moradia – coração achando feio o não-ter. Abandono de fera ferida, bolero radical. Última das criaturas, surto de lucidez impiedosa da Big Loira de Dorothy Parker.

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