
No início desta semana fomos surpreendidos com a notícia de um suposto estupro que teria ocorrido no reality show Big Brother Brasil, transmitido pela Rede Globo. O assunto rapidamente tomou conta das redes sociais e virou notícia em programas de TV, rádio, jornais e revistas.
Deixando o lado factual e refletindo um pouco sobre o assunto, o que podemos aferir à respeito do estupro no Brasil? Clique e ouça nosso podcast:
Mais análises em http://criandocondicoesaliberdade.blogspot.com
Íntegra do áudio:
Na última madrugada de domingo para segunda-feira, o programa Big Brother Brasil, transmitido pela Rede Globo, realizou uma festa que terminou com uma polêmica que pode ser ouvida em cada rachadura deste país. O participante Daniel supostamente teria estuprado a participante Monique na frente de câmeras que transmitem imagens para todo o país.
Nos últimos dias, um vídeo onde uma garotinha questiona o porquê dos meninos terem sempre que brincar com bonequinhos de super-heróis e carrinhos, enquanto as meninas devem sempre brincar com bonecas, ganhou grande repercussão na internet, sendo destaque em sites de todo mundo. Mas pouco se discutiu a respeito.
Escute a análise da indignação da menina Riley diante a opressão da indústria cultural:
Olá desordeiros, meu nome é Eder Juno e participo do Desordem Pública implementando críticas a eventos de grande impacto na atualidade. Conheçam meu blog, onde são discutidos assuntos semelhantes: http://criandocondicoesaliberdade.blogspot.com
Caso queiram ler o áudio:

Massacrar um animal indefeso é um crime que deve ser punido severamente, no rigor da lei. Mas a questão aqui é outra: porque os brasileiros não se mobilizam por causas tão importante quanto esta? Por que não há mobilizações no Twitter, Facebook e demais redes sociais sobre questões políticas importantes, corrupção, falta de investimentos em educação, saúde, segurança pública, meio ambiente, etc?
Aliás, é realmente impressionante a quantidade de sentimento de vingança que atinge os internautas brasileiros, que em seus comentários buscam a justiça através da violência, e não da paz. As mobilizações na internet estão cada vez mais odiosas e menos construtivas. Violência só gera mais violência, e não é à toa que vemos cada vez mais casos absurdos como o do pobre cachorrinho. As pessoas não conseguem resolver seus problemas de maneira pacífica.
Portanto, reflitam e passem adiante a mensagem de que a internet deve servir para mobilizar, sempre de maneira inteligente.

Na última semana postamos sobre a polêmica campanha UNHATE, da Benneton, que aborda o combate ao ódio através de um vídeo e de fotomontagens de chefes de Estado e autoridades religiosas trocando selinhos entre si. A Igreja Católica se sentiu ofendida com a imagem do Papa Bento XVI beijando o imã sunita egípcio Ahmed el Tayeb e ameaçou processar a Benetton, que retirou a referida imagem de sua campanha.

Entretanto, diferentemente da Igreja Católica, o presidente venezuelano Hugo Chávez, durante uma coletiva de imprensa, riu da fotomontagem onde ele aparece “beijando” Barack Obama, seu “rival ideológico”, levando tudo na brincadeira com muito bom humor.
Trechos sobre o assunto: do 0:50 minuto ao 1:40 minuto e a partir dos 3:38 minutos.
”Y como parece Obama, con los ojos cerrados?”
Chávez, ao ser indagado por uma repórter à respeito da foto polêmica, riu bastante mesmo sem tâ-la visto e depois de vê-la brincou com o fato de Obama estar com os olhos fechados, como que inspirado ou apaixonado: “Caramba, é um selinho! Eu também estou com os olhos fechados”, gargalhou. “Zoam comigo o tempo todo, mas não faço nada (…). Minha tendência pessoal e espiritual é rir de mim mesmo. Foi uma boa piada“.
Iniciativa interessante: enquanto aquele que é considerado um ditador é tolerante com a campanha, aquela que deveria ser uma instituição caridosa, fraterna e cheia de compaixão se mostrou totalmente intolerante, demonstrando ódio a uma campanha contra o ódio. Que coisa, não?

“O ódio não cessa com ódio em tempo algum, o ódio cessa com o amor”
Sutta Pitaka
Há algum tempo estou querendo postar sobre a campanha UNHATE, um projeto criado pela Benetton com a finalidade de chamar a atenção ao mundo, de uma maneira muito criativa e extremamente ousada, sobre temas hoje muito complexos como a proximidade entre os povos, suas culturas, crenças e a convivência pacífica entre ambos.
A campanha repercutiu em todo o mundo, gerando grande polêmica pela estratégia adotada: montagens através de fotos de grandes líderes políticos e religiosos se beijando na boca. Segundo a Benneton, o tema central da campanha é o beijo, considerado o símbolo universal do amor. Nas diversas imagens que compõem a campanha, Barack Obama beija o líder chinês Hu Jintao e o presidente venezuelano Hugo Chavez; o presidente da Autoridade Nacional Palestina, Mahmoud Abbas, beija o primeiro-ministro de Israel, Benjamin Netanyahu; a chanceler alemã Angela Merkel dá um selinho no presidente francês Nicolas Sarkozy; e os presidentes das duas Coreias trocam outro beijo.
Papa Bento XVI beija o imã sunita egípcio Ahmed el Tayeb, em campanha da Benetton. A Igreja Católica repudiou a imagem, dizendo que era “uma grave falta de respeito com o papa” e “uma ofensa aos sentimentos dos fiéis”. Logo depois ameaçou a empresa de processo, que retirou a montagem de seu site.
Acompanhando a repercussão da campanha pela internet, verifiquei que dentre todas as opiniões negativas à campanha, a maior parte consistia na crítica à foto entre o líder católico e o imã sunita. De fato, um beijo entre dois homens é um choque para ambas as religiões por eles representadas. Mas… por que um simples beijo pode incomodar tanto? Por que um simples beijo pode, ao invés de combater o ódio, gerar o ódio de dentro da própria Igreja, que deveria ser a instituição mais nobre e fraterna do mundo? Por que as pessoas cultuam valores que geram o ódio ao invés de combatê-lo?