
Finalmente Mubarak, ditador trintão egípcio, aliás, EX-ditador, renunciou ao cargo após gigantesca pressão popular. O anúncio foi feito pelo vice-presidente do Egito, Omar Suleiman, que tinha acabado de ser nomeado e que também renunciou. O poder foi entregue ao Exército, que terá a responsabilidade de fazer a transição do antigo governo para uma nova fase política.

Para forçar esta transição, o povo saiu às ruas e causou uma verdadeira desordem pública! Acampou nas ruas, enfrentou a polícia e o exército, ergueu bandeiras por todos os campos, fez chuvas de pedras e levou suas reivindicações ao mundo todo mesmo com internet bloqueada e telefone boicotado. Fez a desordem da ordem, uma ordem injusta e autoritária que minava o povo egípcio dia após dia.


Há um ano, o Desordem Pública falava sobre os terríveis problemas do Haiti. O grande tremor de terra, aliado à imensa pobreza do país, foram catastróficos para a vida de todo o povo sofrido haitiano.
Paralelamente, dezenas de artistas pop se juntaram para fazer grana à custa da miséria alheia, ao lançarem uma reedição de We Are The World em prol do país caribenho. Um ano após a tragédia que assolou o país, a miséria e a pobreza continuam mais fortes do que nunca, e o país, mais uma vez, isolado e esquecido.
Há um ano, o Desordem Pública também falava das devastadoras enchentes que assolavam diversas regiões do país. A força da natureza, impiedosa e multiplicada pelo aquecimento global, atingiu em cheio cidades inteiras, chacinando centenas de brasileiros sob os olhos alheios de seus governantes.
Paralelamente, dezenas de campanhas de doações foram criadas, e inúmeras mobilizações midiáticas procuraram a audiência dos brasileiros atônitos. Um ano após as tragédias, vemos a repetição do caos e a proliferação da destruição e da miséria. O país, mais uma vez, isolado e esquecido.

Mas o mundo não pode parar. A música pop balança os corpos com o mesmo efeito que os terremotos. E o carnaval inunda o povo sofrido com suas batidas que fazem lavar a alma.
E o povo, que vê casas inocentes totalmente destruídas todo início de ano, volta seus olhos para uma casa indestrutível, povoada por homens sarados, modelos seminuas e o Pedro Bial.
E a tragédia humana segue o seu ciclo.

No início do ano passado, um assunto causou muita polêmica no meio da música pop: Ricky Martin assumiu a sua homossexualidade (veja aqui ). Em meio às costumeiras piadinhas (que são bem humoradas quando não apelam para o preconceito e a intolerância) e à decepção geral de muitas fãs que sonhavam em dividir a cama com o cantor latino, Ricky saiu um pouco de cena, mas sem deixar de inspirar muitas outras “saídas de armário” (veja aqui).
Porém, neste início de ano o ex-Menudo voltou a aparecer, com uma música nova e um clipe novo. Falando de liberdade e igualdade, Ricky coloca negros, brancos, latinos, loiros, muçulmanos, góticos, homossexuais e héterossexuais todos juntos, cantando e dançando lado a lado. E deixa a mensagem do You=Me.
A cada dia que passa vemos mais homossexuais agredidos nas ruas, religiões oprimidas ou oprimindo, preconceitos contra coisas tão banais quanto um corte de cabelo, um modo de vestir, um jeito de pronunciar palavras. O mundo é “demonizado” a todo momento, mas os seres humanos é que não se tocam que eles são os próprios “demônios”. O homem vive em busca de padrões, e denigre aqueles que não se enquadram nele. Por isso, neste ambiente social tão intransigente, é tão difícil para alguém assumir-se da forma que é, não sob a roupagem que melhor convém aos outros.
E contra a todos esses tipos de intolerância, o Desordem da Ordem convida você à reflexão!

Nos últimos meses foram divulgados na mídia um grande número de informações sigilosas obtidas pelo site WikiLeaks, uma organização não-governamental que divulga documentos diplomáticos oficiais que julgam ser de interesse coletivo.
A maior parte delas fazem referência aos Estados Unidos (como não poderia deixar de ser, afinal de contas, eles enfiam o bedelho em qualquer parte do planeta – documentos sobre isso é que não faltarão nunca!) e suas controversas relações diplomáticas e “operacionais” em casos como as guerras no Afeganistão e Iraque, e suas relações com outros países do globo.

Entre suas divulgações, destacam-se vídeos sobre ataques norte-americanos a civis inocentes no Iraque e Afeganistão, incluindo a morte de fotógrados da Reuters, manuais de torturas na prisão de Guantánamo, e dados impressionantes: em um dos relatórios, pertencente ao exército norte-americano, é dito que mais 60% das mortes ocorridas na na Guerra do Iraque foram de civis!

No horário político que enlameava a TV há poucas semanas atrás, a agora eleita Dilma Rousseff afirmou que iria transformar todos os pobres, ou membros das classes mais pobres, em gente da classe média. O Brasil seria o país da classe média, segundo ela.
Tirando o fato da presidente eleita ter dito uma grande bobagem, e que em um sistema capitalista é impossível que “todos” sejam da classe média, afinal de contas, é preciso que exista desigualdade social para existir capitalismo, é interessante como ser da classe média é o sonho de muitos brasileiros. Uma família da classe média tem um carro na garagem, internet com banda larga, filhos em escola particular, pais empregados, dinheiro pra academia, curso de inglês, condomínio, assinatura de revista semanal… E também possui costumes muito peculiares, sabiamente abordados na música de Max Gonzaga, que você pode curtir a seguir, no Desordem da Ordem!
Dica da digníssima leitora Denise. Reflitam!
Max Gonzaga – Classe Média
Sou classe média
Papagaio de todo telejornal
Eu acredito
Na imparcialidade da revista semanal
Hoje estreamos uma nova categoria de posts aqui no Desordem Pública: a Desordem da Ordem! Serão posts com vídeos, textos, iniciativas e qualquer outro tipo de conteúdo para desordenar os nossos modos de ver o mundo, pensar e agir. A proposta é boa, né? Vamos lá!
Virou clichê falar de bandas coloridas ou “emos”. Todo mundo já deu alguma zoadinha em nossos amiguinhos coloridos , ou por conveniência, ou por modismo. O fato é que é triste ver os nossos queridíssimos pré-adolescentes-ou-crianças-com-os-primeiros-pelos-pubianos-protuberantes-ou-nem-isso-vai-saber-né morrendo de amores e paixão por músicas tão bobas e ideias tão fraquinhas.
