<?xml version="1.0" encoding="UTF-8"?>
<rss version="2.0"
	xmlns:content="http://purl.org/rss/1.0/modules/content/"
	xmlns:wfw="http://wellformedweb.org/CommentAPI/"
	xmlns:dc="http://purl.org/dc/elements/1.1/"
	xmlns:atom="http://www.w3.org/2005/Atom"
	xmlns:sy="http://purl.org/rss/1.0/modules/syndication/"
	xmlns:slash="http://purl.org/rss/1.0/modules/slash/"
	>

<channel>
	<title>Desordem Pública &#187; Uma Boa Leitura</title>
	<atom:link href="http://desordempublica.com.br/category/uma-boa-leitura/feed/" rel="self" type="application/rss+xml" />
	<link>http://desordempublica.com.br</link>
	<description>Blog de Humor e Entretenimento, com conteúdos sobre diversos assuntos, sempre com pitadas sutis de crítica, ironia, e falta de noção.</description>
	<lastBuildDate>Mon, 21 May 2012 16:47:24 +0000</lastBuildDate>
	<language>en</language>
	<sy:updatePeriod>hourly</sy:updatePeriod>
	<sy:updateFrequency>1</sy:updateFrequency>
	<generator>http://wordpress.org/?v=</generator>
		<item>
		<title>Pneumotórax, por Manuel Bandeira</title>
		<link>http://desordempublica.com.br/2012/05/21/pneumotorax-por-manuel-bandeira/</link>
		<comments>http://desordempublica.com.br/2012/05/21/pneumotorax-por-manuel-bandeira/#comments</comments>
		<pubDate>Mon, 21 May 2012 11:18:05 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Raphael Máximo</dc:creator>
				<category><![CDATA[Uma Boa Leitura]]></category>
		<category><![CDATA[manuel bandeira]]></category>
		<category><![CDATA[pneumotórax]]></category>
		<category><![CDATA[poema]]></category>
		<category><![CDATA[poesia]]></category>

		<guid isPermaLink="false">http://desordempublica.com.br/?p=22346</guid>
		<description><![CDATA[por Manuel Bandeira Febre, hemoptise, dispnéia e suores noturnos. A vida inteira que podia ter sido e que não foi. Tosse, tosse, tosse. Mandou chamar o médico: - Diga trinta e três. - Trinta e três… trinta e três… trinta e três… - Respire. - O senhor tem uma escavação no pulmão esquerdo e o [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: center;"><img src="http://desordempublica.com.br/wp-content/uploads/2011/07/uma-boa-leitura.jpg" alt="leitura, poema, posia, crônica, texto" /></p>
<p style="text-align: right;"><strong>por Manuel Bandeira</strong></p>
<p>Febre, hemoptise, dispnéia e suores noturnos.<br />
A vida inteira que podia ter sido e que não foi.<br />
Tosse, tosse, tosse.</p>
<p>Mandou chamar o médico:<br />
- Diga trinta e três.<br />
- Trinta e três… trinta e três… trinta e três…<br />
- Respire.</p>
<p>- O senhor tem uma escavação no pulmão esquerdo e o pulmão direito infiltrado.<br />
- Então, doutor, não é possível tentar o pneumotórax?<br />
- Não. A única coisa a fazer é tocar um tango argentino.</p>
]]></content:encoded>
			<wfw:commentRss>http://desordempublica.com.br/2012/05/21/pneumotorax-por-manuel-bandeira/feed/</wfw:commentRss>
		<slash:comments>0</slash:comments>
		</item>
		<item>
		<title>Mãe, por Cora Coralina</title>
		<link>http://desordempublica.com.br/2012/05/14/mae-por-cora-coralina/</link>
		<comments>http://desordempublica.com.br/2012/05/14/mae-por-cora-coralina/#comments</comments>
		<pubDate>Mon, 14 May 2012 11:00:50 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Raphael Máximo</dc:creator>
				<category><![CDATA[Uma Boa Leitura]]></category>
		<category><![CDATA[cora coralina]]></category>
		<category><![CDATA[dia das mães]]></category>
		<category><![CDATA[mãe]]></category>
		<category><![CDATA[poemas]]></category>
		<category><![CDATA[poesias]]></category>
		<category><![CDATA[textos]]></category>

		<guid isPermaLink="false">http://desordempublica.com.br/?p=20220</guid>
		<description><![CDATA[por Cora Coralina Renovadora e reveladora do mundo A humanidade se renova no teu ventre. Cria teus filhos, não os entregues à creche. Creche é fria, impessoal. Nunca será um lar para teu filho. Ele, pequenino, precisa de ti. Não o desligues da tua força maternal. Que pretendes, mulher? Independência, igualdade de condições&#8230; Empregos fora [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: center;"><a href="http://desordempublica.com.br/category/uma-boa-leitura/" target="_blank"><img src="http://desordempublica.com.br/wp-content/uploads/2010/12/uma-boa-leitura.jpg" alt="" /></a></p>
<p style="text-align: right;"><strong>por Cora Coralina</strong></p>
<p>Renovadora e reveladora do mundo<br />
A humanidade se renova no teu ventre.<br />
Cria teus filhos,<br />
não os entregues à creche.<br />
Creche é fria, impessoal.<br />
Nunca será um lar<br />
para teu filho.<br />
Ele, pequenino, precisa de ti.<br />
Não o desligues da tua força maternal.</p>
<p>Que pretendes, mulher?<br />
Independência, igualdade de condições&#8230;<br />
Empregos fora do lar?<br />
És superior àqueles<br />
que procuras imitar.<br />
Tens o dom divino<br />
de ser mãe<br />
Em ti está presente a humanidade.</p>
<p>Mulher, não te deixes castrar.<br />
Serás um animal somente de prazer<br />
e às vezes nem mais isso.<br />
Frígida, bloqueada, teu orgulho te faz calar.<br />
Tumultuada, fingindo ser o que não és.<br />
Roendo o teu osso negro da amargura.</p>
]]></content:encoded>
			<wfw:commentRss>http://desordempublica.com.br/2012/05/14/mae-por-cora-coralina/feed/</wfw:commentRss>
		<slash:comments>0</slash:comments>
		</item>
		<item>
		<title>Timidez, por Cecília Meireles</title>
		<link>http://desordempublica.com.br/2012/05/07/timidez-por-cecilia-meireles/</link>
		<comments>http://desordempublica.com.br/2012/05/07/timidez-por-cecilia-meireles/#comments</comments>
		<pubDate>Mon, 07 May 2012 11:35:24 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Raphael Máximo</dc:creator>
				<category><![CDATA[Uma Boa Leitura]]></category>
		<category><![CDATA[cecília meireles]]></category>
		<category><![CDATA[poema]]></category>
		<category><![CDATA[timidez]]></category>

		<guid isPermaLink="false">http://desordempublica.com.br/?p=22366</guid>
		<description><![CDATA[por Cecília Meireles Basta-me um pequeno gesto, feito de longe e de leve, para que venhas comigo e eu para sempre te leve… - mas só esse eu não farei. Uma palavra caída das montanhas dos instantes desmancha todos os mares e une as terras mais distantes… - palavra que não direi. Para que tu [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: center;"><img src="http://desordempublica.com.br/wp-content/uploads/2010/12/uma-boa-leitura.jpg" alt="" /></p>
<p style="text-align: right;"><strong>por Cecília Meireles</strong></p>
<p>Basta-me um pequeno gesto,<br />
feito de longe e de leve,<br />
para que venhas comigo<br />
e eu para sempre te leve…</p>
<p>- mas só esse eu não farei.</p>
<p>Uma palavra caída<br />
das montanhas dos instantes<br />
desmancha todos os mares<br />
e une as terras mais distantes…</p>
<p>- palavra que não direi.</p>
<p>Para que tu me adivinhes,<br />
entre os ventos taciturnos,<br />
apago meus pensamentos,<br />
ponho vestidos noturnos,</p>
<p>- que amargamente inventei.</p>
<p>E, enquanto não me descobres,<br />
os mundos vão navegando<br />
nos ares certos do tempo,<br />
até não se sabe quando…</p>
<p>e um dia me acabarei.</p>
]]></content:encoded>
			<wfw:commentRss>http://desordempublica.com.br/2012/05/07/timidez-por-cecilia-meireles/feed/</wfw:commentRss>
		<slash:comments>0</slash:comments>
		</item>
		<item>
		<title>Gosto quando te calas, por Pablo Neruda</title>
		<link>http://desordempublica.com.br/2012/04/30/gosto-quando-te-calas-por-pablo-neruda/</link>
		<comments>http://desordempublica.com.br/2012/04/30/gosto-quando-te-calas-por-pablo-neruda/#comments</comments>
		<pubDate>Mon, 30 Apr 2012 11:30:49 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Raphael Máximo</dc:creator>
				<category><![CDATA[Uma Boa Leitura]]></category>
		<category><![CDATA[pablo neruda]]></category>
		<category><![CDATA[poema]]></category>

		<guid isPermaLink="false">http://desordempublica.com.br/?p=22328</guid>
		<description><![CDATA[por Pablo Neruda Gosto quando te calas porque estás como ausente, e me ouves de longe, minha voz não te toca. Parece que os olhos tivessem de ti voado e parece que um beijo te fechara a boca. Como todas as coisas estão cheias da minha alma emerge das coisas, cheia da minha alma. Borboleta [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: center;"><img src="http://desordempublica.com.br/wp-content/uploads/2010/12/uma-boa-leitura.jpg" alt="" /></p>
<p style="text-align: right;"><strong>por Pablo Neruda</strong></p>
<p>Gosto quando te calas porque estás como ausente,<br />
e me ouves de longe, minha voz não te toca.<br />
Parece que os olhos tivessem de ti voado<br />
e parece que um beijo te fechara a boca.</p>
<p>Como todas as coisas estão cheias da minha alma<br />
emerge das coisas, cheia da minha alma.<br />
Borboleta de sonho, pareces com minha alma,<br />
e te pareces com a palavra melancolia.</p>
<p>Gosto de ti quando calas e estás como distante.<br />
E estás como que te queixando, borboleta em arrulho.<br />
E me ouves de longe, e a minha voz não te alcança:<br />
Deixa-me que me cale com o silêncio teu.</p>
<p>Deixa-me que te fale também com o teu silêncio<br />
claro como uma lâmpada, simples como um anel.<br />
És como a noite, calada e constelada.<br />
Teu silêncio é de estrela, tão longinqüo e singelo.</p>
<p>Gosto de ti quando calas porque estás como ausente.<br />
Distante e dolorosa como se tivesses morrido.<br />
Uma palavra então, um sorriso bastam.<br />
E eu estou alegre, alegre de que não seja verdade.</p>
]]></content:encoded>
			<wfw:commentRss>http://desordempublica.com.br/2012/04/30/gosto-quando-te-calas-por-pablo-neruda/feed/</wfw:commentRss>
		<slash:comments>0</slash:comments>
		</item>
		<item>
		<title>Subversiva, por Ferreira Gullar</title>
		<link>http://desordempublica.com.br/2012/04/23/subversiva-por-ferreira-gullar/</link>
		<comments>http://desordempublica.com.br/2012/04/23/subversiva-por-ferreira-gullar/#comments</comments>
		<pubDate>Mon, 23 Apr 2012 11:04:31 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Raphael Máximo</dc:creator>
				<category><![CDATA[Uma Boa Leitura]]></category>
		<category><![CDATA[boa leitura]]></category>
		<category><![CDATA[ferreira gullar]]></category>
		<category><![CDATA[poema]]></category>
		<category><![CDATA[poesia]]></category>
		<category><![CDATA[subversiva]]></category>

		<guid isPermaLink="false">http://desordempublica.com.br/?p=20515</guid>
		<description><![CDATA[por Ferreira Gullar A poesia Quando chega Não respeita nada. Nem pai nem mãe. Quando ela chega De qualquer de seus abismos Desconhece o Estado e a Sociedade Civil Infringe o Código de Águas Relincha Como puta Nova Em frente ao Palácio da Alvorada. E só depois Reconsidera: beija Nos olhos os que ganham mal [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: center;"><a href="http://desordempublica.com.br/category/uma-boa-leitura/" target="_blank"><img src="http://desordempublica.com.br/wp-content/uploads/2010/12/uma-boa-leitura.jpg" alt="" /></a></p>
<p style="text-align: right;"><strong>por Ferreira Gullar</strong></p>
<p style="text-align: left;">A poesia<br />
Quando chega<br />
Não respeita nada.</p>
<p>Nem pai nem mãe.<br />
Quando ela chega<br />
De qualquer de seus abismos</p>
<p>Desconhece o Estado e a Sociedade Civil<br />
Infringe o Código de Águas<br />
Relincha</p>
<p>Como puta<br />
Nova<br />
Em frente ao Palácio da Alvorada.</p>
<p>E só depois<br />
Reconsidera: beija<br />
Nos olhos os que ganham mal<br />
Embala no colo<br />
Os que têm sede de felicidade<br />
E de justiça.</p>
<p>E promete incendiar o país.</p>
]]></content:encoded>
			<wfw:commentRss>http://desordempublica.com.br/2012/04/23/subversiva-por-ferreira-gullar/feed/</wfw:commentRss>
		<slash:comments>0</slash:comments>
		</item>
		<item>
		<title>Desencanto, por Manuel Bandeira</title>
		<link>http://desordempublica.com.br/2012/04/16/desencanto-por-manuel-bandeira-2/</link>
		<comments>http://desordempublica.com.br/2012/04/16/desencanto-por-manuel-bandeira-2/#comments</comments>
		<pubDate>Mon, 16 Apr 2012 11:30:53 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Raphael Máximo</dc:creator>
				<category><![CDATA[Uma Boa Leitura]]></category>
		<category><![CDATA[desencanto]]></category>
		<category><![CDATA[manuel bandeira]]></category>
		<category><![CDATA[poema]]></category>
		<category><![CDATA[poesia]]></category>

		<guid isPermaLink="false">http://desordempublica.com.br/?p=22353</guid>
		<description><![CDATA[por Manuel Bandeira Eu faço versos como quem chora De desalento… de desencanto… Fecha o meu livro, se por agora Não tens motivo nenhum de pranto. Meu verso é sangue. Volúpia ardente… Tristeza esparsa… remorso vão… Dói-me nas veias. Amargo e quente, Cai, gota a gota, do coração. E nestes versos de angústia rouca, Assim [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: center;"><img src="http://desordempublica.com.br/wp-content/uploads/2010/12/uma-boa-leitura.jpg" alt="" /></p>
<p style="text-align: right;"><strong>por Manuel Bandeira</strong></p>
<p>Eu faço versos como quem chora<br />
De desalento… de desencanto…<br />
Fecha o meu livro, se por agora<br />
Não tens motivo nenhum de pranto.</p>
<p>Meu verso é sangue. Volúpia ardente…<br />
Tristeza esparsa… remorso vão…<br />
Dói-me nas veias. Amargo e quente,<br />
Cai, gota a gota, do coração.</p>
<p>E nestes versos de angústia rouca,<br />
Assim dos lábios a vida corre,<br />
Deixando um acre sabor na boca.</p>
<p>- Eu faço versos como quem morre.</p>
]]></content:encoded>
			<wfw:commentRss>http://desordempublica.com.br/2012/04/16/desencanto-por-manuel-bandeira-2/feed/</wfw:commentRss>
		<slash:comments>0</slash:comments>
		</item>
		<item>
		<title>Leveza, por Cecília Meireles</title>
		<link>http://desordempublica.com.br/2012/04/09/leveza-por-cecilia-meireles/</link>
		<comments>http://desordempublica.com.br/2012/04/09/leveza-por-cecilia-meireles/#comments</comments>
		<pubDate>Mon, 09 Apr 2012 11:19:26 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Raphael Máximo</dc:creator>
				<category><![CDATA[Uma Boa Leitura]]></category>
		<category><![CDATA[cecília meireles]]></category>
		<category><![CDATA[leveza]]></category>
		<category><![CDATA[poemas]]></category>
		<category><![CDATA[poesias]]></category>

		<guid isPermaLink="false">http://desordempublica.com.br/?p=22368</guid>
		<description><![CDATA[por Cecília Meireles Leve é o pássaro: e a sua sombra voante, mais leve. E a cascata aérea de sua garganta, mais leve. E o que lembra, ouvindo-se deslizar seu canto, mais leve. E o desejo rápido desse mais antigo instante, mais leve. E a fuga invisível do amargo passante, mais leve.]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: center;"><img src="http://desordempublica.com.br/wp-content/uploads/2010/12/uma-boa-leitura.jpg" alt="" /></p>
<p style="text-align: right;"><strong>por Cecília Meireles</strong></p>
<p>Leve é o pássaro:<br />
e a sua sombra voante,<br />
mais leve.</p>
<p>E a cascata aérea<br />
de sua garganta,<br />
mais leve.<br />
E o que lembra, ouvindo-se<br />
deslizar seu canto,<br />
mais leve.<br />
E o desejo rápido<br />
desse mais antigo instante,<br />
mais leve.<br />
E a fuga invisível<br />
do amargo passante,<br />
mais leve.</p>
]]></content:encoded>
			<wfw:commentRss>http://desordempublica.com.br/2012/04/09/leveza-por-cecilia-meireles/feed/</wfw:commentRss>
		<slash:comments>0</slash:comments>
		</item>
		<item>
		<title>Poesia Matemática, por Millôr Fernandes</title>
		<link>http://desordempublica.com.br/2012/04/02/poesia-matematica-por-millor-fernandes/</link>
		<comments>http://desordempublica.com.br/2012/04/02/poesia-matematica-por-millor-fernandes/#comments</comments>
		<pubDate>Mon, 02 Apr 2012 11:30:43 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Raphael Máximo</dc:creator>
				<category><![CDATA[Uma Boa Leitura]]></category>
		<category><![CDATA[boa leitura]]></category>
		<category><![CDATA[matemática]]></category>
		<category><![CDATA[millôr fernandes]]></category>
		<category><![CDATA[poesia]]></category>
		<category><![CDATA[texto]]></category>

		<guid isPermaLink="false">http://desordempublica.com.br/?p=23275</guid>
		<description><![CDATA[por Millôr Fernandes Às folhas tantas do livro matemático um Quociente apaixonou-se um dia doidamente por uma Incógnita. Olhou-a com seu olhar inumerável e viu-a do ápice à base uma figura ímpar; olhos rombóides, boca trapezóide, corpo retangular, seios esferóides. Fez de sua uma vida paralela à dela até que se encontraram no infinito. &#8220;Quem [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: center;"><img src="http://desordempublica.com.br/wp-content/uploads/2010/12/uma-boa-leitura.jpg" alt="" /></p>
<p style="text-align: right;"><strong>por Millôr Fernandes</strong></p>
<p style="text-align: left;">Às folhas tantas<br />
do livro matemático<br />
um Quociente apaixonou-se<br />
um dia<br />
doidamente<br />
por uma Incógnita.<br />
Olhou-a com seu olhar inumerável<br />
e viu-a do ápice à base<br />
uma figura ímpar;<br />
olhos rombóides, boca trapezóide,<br />
corpo retangular, seios esferóides.<br />
Fez de sua uma vida<br />
paralela à dela<br />
até que se encontraram<br />
no infinito.<br />
&#8220;Quem és tu?&#8221;, indagou ele<br />
em ânsia radical.<br />
&#8220;Sou a soma do quadrado dos catetos.<br />
Mas pode me chamar de Hipotenusa.&#8221;<br />
E de falarem descobriram que eram<br />
(o que em aritmética corresponde<br />
a almas irmãs)<br />
primos entre si.<br />
E assim se amaram<br />
ao quadrado da velocidade da luz<br />
numa sexta potenciação<br />
traçando<br />
ao sabor do momento<br />
e da paixão<br />
retas, curvas, círculos e linhas sinoidais<br />
nos jardins da quarta dimensão.<br />
Escandalizaram os ortodoxos das fórmulas euclidiana<br />
e os exegetas do Universo Finito.<br />
Romperam convenções newtonianas e pitagóricas.<br />
E enfim resolveram se casar<br />
constituir um lar,<br />
mais que um lar,<br />
um perpendicular.<br />
Convidaram para padrinhos<br />
o Poliedro e a Bissetriz.<br />
E fizeram planos, equações e diagramas para o futuro<br />
sonhando com uma felicidade<br />
integral e diferencial.<br />
E se casaram e tiveram uma secante e três cones<br />
muito engraçadinhos.<br />
E foram felizes<br />
até aquele dia<br />
em que tudo vira afinal<br />
monotonia.<br />
Foi então que surgiu<br />
O Máximo Divisor Comum<br />
freqüentador de círculos concêntricos,<br />
viciosos.<br />
Ofereceu-lhe, a ela,<br />
uma grandeza absoluta<br />
e reduziu-a a um denominador comum.<br />
Ele, Quociente, percebeu<br />
que com ela não formava mais um todo,<br />
uma unidade.<br />
Era o triângulo,<br />
tanto chamado amoroso.<br />
Desse problema ela era uma fração,<br />
a mais ordinária.<br />
Mas foi então que Einstein descobriu a Relatividade<br />
e tudo que era espúrio passou a ser<br />
moralidade<br />
como aliás em qualquer<br />
sociedade.</p>
]]></content:encoded>
			<wfw:commentRss>http://desordempublica.com.br/2012/04/02/poesia-matematica-por-millor-fernandes/feed/</wfw:commentRss>
		<slash:comments>1</slash:comments>
		</item>
		<item>
		<title>Monólogo Mundo Moderno, por Chico Anysio</title>
		<link>http://desordempublica.com.br/2012/03/26/monologo-mundo-moderno-por-chico-anysio/</link>
		<comments>http://desordempublica.com.br/2012/03/26/monologo-mundo-moderno-por-chico-anysio/#comments</comments>
		<pubDate>Mon, 26 Mar 2012 11:00:37 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Raphael Máximo</dc:creator>
				<category><![CDATA[Uma Boa Leitura]]></category>
		<category><![CDATA[chico anysio]]></category>
		<category><![CDATA[monólogo]]></category>
		<category><![CDATA[mundo moderno]]></category>
		<category><![CDATA[reflexão]]></category>
		<category><![CDATA[texto]]></category>

		<guid isPermaLink="false">http://desordempublica.com.br/?p=23056</guid>
		<description><![CDATA[por Chico Anysio E vamos falar do mundo, mundo moderno marco malévolo mesclando mentiras modificando maneiras mascarando maracutaias majestoso manicômio meu monólogo mostra mentiras, mazelas, misérias, massacres miscigenação morticínio, maior maldade mundial madrugada, matuto magro, macrocéfalo mastiga média morna monta matumbo malhado munindo machado, martelo mochila murcha margeia mata maior manhazinha move moinho moendo macaxeira [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: center;"><img src="http://desordempublica.com.br/wp-content/uploads/2010/12/uma-boa-leitura.jpg" alt="" /></p>
<p style="text-align: right;"><strong>por Chico Anysio</strong></p>
<p style="text-align: left;">E vamos falar do mundo, mundo moderno<br />
marco malévolo<br />
mesclando mentiras<br />
modificando maneiras<br />
mascarando maracutaias<br />
majestoso manicômio<br />
meu monólogo mostra<br />
mentiras, mazelas, misérias, massacres<br />
miscigenação<br />
morticínio, maior maldade mundial<br />
madrugada, matuto magro, macrocéfalo<br />
mastiga média morna<br />
monta matumbo malhado<br />
munindo machado, martelo<br />
mochila murcha<br />
margeia mata maior<br />
manhazinha move moinho<br />
moendo macaxeira<br />
mandioca<br />
meio-dia mata marreco<br />
manjar melhorzinho<br />
meia-noite mima mulherzinha mimosa<br />
maria morena<br />
momento maravilha<br />
motivação mútoa<br />
mas monocórdia mesmice<br />
muitos migram<br />
mastilentos<br />
maltrapilhos<br />
morarão modestamente<br />
malocas metropolitanas<br />
mocambos miseráveis<br />
menos moral<br />
menos mantimentos<br />
mais menosprezo<br />
metade morre<br />
mundo maligno<br />
misturando mendigos maltratados<br />
menores metralhados<br />
militares mandões<br />
meretrizes marafonas<br />
mocinhas, meras meninas,<br />
mariposas<br />
mortificando-se moralmente<br />
modestas moças maculadas<br />
mercenárias mulheres marcadas<br />
mundo medíocre<br />
milionários montam mansões magníficas<br />
melhor mármore<br />
mobília mirabolante<br />
máxima megalomania<br />
mordomo, mercedez, motorista, mãos<br />
magnatas manobrando milhões<br />
mas maioria morre minguando!<br />
moradia meiágua, menos, marquise<br />
mundo maluco<br />
máquina mortífera<br />
mundo moderno melhore<br />
melhore mais<br />
melhore muito<br />
melhore mesmo<br />
merecemos<br />
maldito mundo moderno<br />
mundinho merda!</p>
<p style="text-align: center;"><iframe title="YouTube video player" width="520" height="305" src="http://www.youtube.com/embed/6HiGpnKGTIY" frameborder="0" allowfullscreen></iframe></p>
]]></content:encoded>
			<wfw:commentRss>http://desordempublica.com.br/2012/03/26/monologo-mundo-moderno-por-chico-anysio/feed/</wfw:commentRss>
		<slash:comments>0</slash:comments>
		</item>
		<item>
		<title>No Corpo, por Ferreira Gullar</title>
		<link>http://desordempublica.com.br/2012/03/19/no-corpo-por-ferreira-gullar/</link>
		<comments>http://desordempublica.com.br/2012/03/19/no-corpo-por-ferreira-gullar/#comments</comments>
		<pubDate>Mon, 19 Mar 2012 11:30:35 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Raphael Máximo</dc:creator>
				<category><![CDATA[Uma Boa Leitura]]></category>
		<category><![CDATA[boa leitura]]></category>
		<category><![CDATA[ferreira gullar]]></category>
		<category><![CDATA[no corpo]]></category>
		<category><![CDATA[poema]]></category>
		<category><![CDATA[poesia]]></category>

		<guid isPermaLink="false">http://desordempublica.com.br/?p=20517</guid>
		<description><![CDATA[por Ferreira Gullar De que vale tentar reconstruir com palavras O que o verão levou Entre nuvens e risos Junto com o jornal velho pelos ares O sonho na boca, o incêndio na cama, o apelo da noite Agora são apenas esta contração (este clarão) do maxilar dentro do rosto. A poesia é o presente.]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: center;" align="left"><a href="http://desordempublica.com.br/category/uma-boa-leitura/" target="_blank"><img src="http://desordempublica.com.br/wp-content/uploads/2010/12/uma-boa-leitura.jpg" alt="" /></a></p>
<p style="text-align: right;" align="left"><strong>por Ferreira Gullar</strong></p>
<p align="left">De que vale tentar reconstruir com palavras<br />
O que o verão levou<br />
Entre nuvens e risos<br />
Junto com o jornal velho pelos ares</p>
<p align="left">O sonho na boca, o incêndio na cama,<br />
o apelo da noite<br />
Agora são apenas esta<br />
contração (este clarão)<br />
do maxilar dentro do rosto.</p>
<p align="left">A poesia é o presente.</p>
]]></content:encoded>
			<wfw:commentRss>http://desordempublica.com.br/2012/03/19/no-corpo-por-ferreira-gullar/feed/</wfw:commentRss>
		<slash:comments>0</slash:comments>
		</item>
	</channel>
</rss>

